História da Umbanda

Olá tudo bem? Você já conhece a história da Umbanda? Assim como já falamos no nosso artigo anterior “O que é Umbanda“, que, não tem como você ser umbandista sem saber o que é Umbanda mas também não tem como ser umbandista sem saber a história da Umbanda, afinal, como que você vai estar em uma religião se você não sabe nem de onde ela veio, a origem dela. Então vem comigo conhecer essa linda história.

A Umbanda nasceu em 1908, mas vale fazer um adendo nessa informação, porque a Umbanda já existe muito tempo antes de 1908, ela veio para o Brasil junto com os escravos. Na senzala quando tinha alguma confusão quando precisavam resolver alguma coisa, os escravos invocavam espíritos ancestrais para os ajudar, dar conselhos e esses espíritos já se denominavam como Pretos Velhos. Quando os escravos chegaram aqui encontraram os índios e então também começaram a invocar os espíritos dos indígenas, dos Caciques e Pagés para ajudar nos conflitos da senzala e nos conselhos, sendo assim, a Umbanda já existe a muito tempo, porém ainda não havia sido denominada com esse nome. Em 1908 o que ocorreu foi a organização da Umbanda e não a criação propriamente dita.

Em 1908 em Niterói – Rio de Janeiro, existia um menino chamado Zélio Fernandino de Moraes, ele tinha 17 anos, estava se preparando para entrar na carreira militar, para a marinha e, uma coisa estranha começou a acontecer, ele estava andando em casa e, daqui a pouco começava a andar curvado e falava igual um velho, a família muito católica, começou a achar aquilo tudo tão estranho e começaram a ficar preocupados. Levaram ele em médicos, na igreja e nada resolveu. Um dia, Zélio adoeceu, ficou de cama com uma paralisia, não se mexia e a família foi atrás de médicos para descobrir o que ele tinha, exame nenhum, nem médico descobria o que Zélio tinha. Foi quando Zélio acordou num belo dia falando: “Amanhã estarei curado!” Um espirito que já acompanhava Zélio, veio para ele e disse que no outro dia ele estaria curado. E acredite! No outro dia ele estava curado, assim como ele já havia previsto. A família ficou muito feliz, porem ele não contou que tinha sido um espirito que tinha falado aquilo pra ele.

Depois que ele se curou dessa doença, continuaram acontecendo as manifestações daquele espirito que andava curvado e falava como um velho. Até que a família sem saída, não tinham mais o que fazer e, decidiram levá-lo no centro espirita, pois, como não tinham encontrado uma solução antes, aparentemente viram uma luz no fim do túnel. Decidiram o levar e foram atrás para tentar entender o que acontecia com Zélio. Foi quando eles foram até a Federação Espirita de Niterói, que na época era coordenada por José de Souza.

Chegando lá, Zélio foi convidado a sentar-se na mesa mediúnica, não sei se você já foi em alguma reunião espirita. Lá eles tem o “lance” da mesa branca, as vezes de outra cor rs, em volta da mesa tem as cadeiras, onde fica o corpo mediúnico, ou seja, os médiuns fazendo a sessõ de desobsessão. Antes da reunião começar, Zélio foi tomado por uma força sobrenatural, a qual ele não conseguia segurar, e essa “força” falou em voz alta: “Aqui esta faltando uma flor!” Se levantou foi até o jardim, pegou uma flor e trouxe, colocou dentro da jarra de água fluidificada, para quem também não sabe, no centro espirita há o costume de deixar uma jarra de água aberta, para que os bons espíritos fluidifiquem e no final todos tomam aquela água, imagine a cara do pessoal do centro espirita quando isso aconteceu rs.

Só que logo depois que isso aconteceu, todos os médiuns começaram a incorporar Caboclos e Pretos Velhos, foi aí que os kardecistas piraram, porque no centro espirita eles acreditam que os Pretos Velhos e os Caboclos são espíritos não evoluídos e, por isso, não permitem a incorporação deles. É muito difícil você achar um que permita, mas está tudo bem, não tem nada de errado com isso, cada um no seu cada um, então eles começaram a expulsar esses espíritos e a falar que ali eles não poderiam ficar.

Foi quando Zélio foi tomado por um força sobrenatural novamente e essa força fala: – Porque vocês estão expulsando esses espíritos daqui?
Então, uma vidente vira e fala: – Porque eles não são espíritos evoluídos!
Daí o espirito que estava em Zélio fala: – Como você sabe que eles não são evoluídos, se você não está dando a oportunidade deles falarem alguma coisa, ou você está apenas os julgando pela raça?
Quando a vidente pergunta: – E você quem é?
E ele respondeu: – Eu sou apenas um Caboclo brasileiro!
E ela diz: – Mas estou vendo em você um padre.
E o Caboclo fala: – O que você vê em mim são apenas restos da minha vida passada, você vê apenas os restos das minhas vestes clericais de quando fui um padre chamado Gabriel de Malagrida, onde fui condenado a fogueira da inquisição por bruxaria, em Lisboa em 1761″.

Lembrando, que tudo o que estou falando aqui é segundo a história, eu não posso dar certeza de nada porque eu não estava lá para ver. Infelizmente! rs.
E então a partir dessa conversa, o Caboclo já emenda falando que: – Amanha, às 20:00, estarei na casa de meu aparelho, fundando uma nova religião, onde serão aceitos todo e qualquer espirito que queira fazer o bem.
Outro adendo ai no meio é que o nome Umbanda não apareceu naquela noite, existe uma palestra de bisneto de Zélio de Moraes que se chama Leonardo da Cunha, onde ele explica a “verdadeira historia” da Umbanda, esse vídeo está no Youtube, te aconselho muito a assistir, ele explica que o nome “UMBANDA” só apareceu 5 anos depois da fundação da Umbanda. Mas antes de ter o nome Umbanda, veio o nome Alabanda, ou seja, naquela noite (no Centro Espírita), não foi dado um nome para a religião, apenas foi dito que seria uma nova religião, onde todo espirito poderia se manifestar desde que fosse para fazer o bem (esse dia do centro espirita foi dia 15 de novembro de 1908) e a primeira gira de “Umbanda” foi dia 16 de novembro de 1908.

Aaaahhhh!!! E quando ele disse que ela estava vendo apenas sua vestes clericais, ele completou dizendo: – Mas se for para eu ter um nome, que seja, Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque para mim, não faltaram caminhos!

E então, voltando ao dialogo, a vidente perguntou para o Caboclo: – Você acha que alguém vai?

E o Caboclo respondeu dizendo: – Eu estarei no alto de cada colina e amanhã a casa de meu aparelho estará cheia de pessoas buscando ajuda.

E assim, foi no outro dia, lá na casa de Zélio de Moraes, às 20:00, estavam familiares e amigos, isso dentro da casa, porque fora da casa, tinha uma multidão de pessoas e, quando deu exatamente 20:00, o Caboclo das Sete Encruzilhadas incorporou, dando as ordens sobre como seria aquela religião, que as pessoas deveriam usar roupa branca, que o legado principal da religião seria o amor fraterno e a caridade.

E então por isso, a gente já aprende que Umbanda não se cobra, e quem cobra por Umbanda, não esta fazendo Umbanda.

Logo após a incorporação do Caboclo das Sete Encruzilhadas, teve a incorporação do preto velho Pai Antônio.

Quando Pai Antônio chegou, ele ficou sentado num toco e perguntaram: – Vô porquê você não vem pra cá na mesa? (porque Zélio seguiu a linha espirita, o Caboclo deu a oportunidade de outros espíritos se manifestarem, mas seguiu a logística espirita, por isso da mesa, igual num centro espirita).
Foi aí que o Vô falou: – Não fia, lugar de nego é no toco, mesa é lugar de gente branca.

Nisso, perguntaram pra ele se ele estava precisando de alguma coisa, ele disse: – Minha cachimba tá no toco, manda moleque buscar. No alto da derrubada, minha cachimba ficou lá! (dessa frase que saiu o famoso ponto rs), e esse foi o primeiro guia de Umbanda a usar ferramenta litúrgica, o cachimbo.

É legal contar também, que no meio da multidão estava o pessoal da Federação Espirita, meio que foram lá pra bisbilhotar o que iria acontecer e , acabaram dando com a cara na parede, porque o Caboclo das Sete Encruzilhadas conversou com eles em francês e alemão mostrando assim que os Caboclos e os Pretos Velhos são espíritos muito evoluídos sim.

E como já disse, essa reunião que foi organizada na casa de Zélio, seguia muito a logística espírita, tanto que o nome do primeiro terreiro fundado é “Tenda Espirita Nossa Senhora da Piedade”, que era na casa de Zélio, ou seja, até no nome se falava espírita, porque seguiam a mesma logística dos espiritas, com a diferença de que, todo e qualquer espirito que quisesse fazer o bem poderia se manifestar.

No outro dia, ou seja, 17 de novembro aconteceu mais uma gira, mais um trabalho onde muitas pessoas foram curadas.

Dizem que cegos saíram enxergando, cadeirantes saíram andando e dali pra frente foi uma vida de trabalho pelA Umbanda.

Além do Pai Antônio e Caboclo das Sete Encruzilhadas, Zélio também recebia o Orixá Male, que é um Orixá da linha do oriente, que vinha, trabalhava em muitas coisas, mas era bom mesmo em desmanchar magia negra. E aí entra a grande questão, de que a Umbanda herdou muitas coisas de outras religiões, mas isso fica pro próximo artigo.

Uma coisa importante de falar é que, quem é umbandista, nunca pode apontar o dedo para uma casa que faça sacrifício animal, que entregue padê para Exu e Pomba Gira com animais, porque lá na tenda de Zélio no começo, na verdade por alguns anos, aconteciam sacríficos animais. Nessa mesma palestra de Leonardo da Cunha, que é o bisneto de Zélio, ele explica isso, fala inclusive que teve lembranças de estar na gira e escutar o porco gritando na hora de ser sacrificado. Então, não julgue (nunca deve julgar ninguém por nada na verdade, mas principalmente não julgue quem faz sacrifício animal) porque isso tem um fundamento, vem desde a época de Zélio. As pessoas acham que não, mas sim!, na tenda de Zélio tinha sacrifício animal, eu Karen não concordo e não faço, mas não julgo quem faça, até porque não tenho nada a ver com isso.

Ouuuutra coisa legal de salientar, é que a Umbanda que Zélio cultuava e que é cultuada ate hoje lá na Tenda Nossa Senhora da Piedade, (afinal ela existe até hoje, de Zélio > passou para as filhas Zélia e Zilmelia, das filhas passaram > para as netas e das netas passaram > para o bisneto), e a Umbanda de lá não tem nada a ver com as umbandas que vemos hoje nos terreiros, mas isso também não esta errado, porque a Umbanda foi evoluindo, foram vindo outras linhas de espíritos, mas na tenda eles só recebem Caboclo, Preto Velho e Criança, eles recebem as manifestações dos Orixás, tem alguns vídeos no Youtube de pessoas incorporando Ogum lá, porém, não recebem Exu, nem Pomba Gira, nem Baiano, Boiadeiro, Marinheiro, etc.

Então podemos ver que a Umbanda foi criada porque o Caboclo das 7 Encruzilhadas tentou se manifestar no Centro Espírita, onde não foi permitido, então saiu e criou a Umbanda, para os espíritos poderem vir. E na Umbanda de Zélio eles não aceitam alguns espíritos que eles também dizem que não são evoluídos, e daí, surgiu mais uma evolução pra essa nova Umbanda, pois Zélio acabou tendo a mesma atitude que os Kardecistas tiveram, afinal já sabemos que os Exus são evoluídos sim, os Marinheiros também, Baiano com a alegria pura, então vamos deixar claro que a Umbanda que ocorre na tenda Nossa Senhora da Piedade não tem nada a ver com a Umbanda que fazemos em nossos terreiros hoje.

E como já disse, a Tenda funciona até hoje aberta para todos, com exceção do momento de hoje pela pandemia.

Eles um um site, que para acessar basta por no Google: “Tenda Nossa Senhora da Piedade” que vai aparecer, lá tem os horários das giras e trabalhos, lá também tem alguns áudios do Pai Antônio, do Caboclo, de Zélio, tem psicografias que Zélio fez, inclusive uma psicografia que ele fez do próprio Allan Kardec, então vale muito a pena você visitar. Link do site da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade.

Voltando para a história rs…

Em 1918 foi ordenado para Caboclo, pela espiritualidade acima dele, a abrir mais 7 Tendas Espiritas, sendo elas:
Tenda Espirita Nossa Senhora da Guia
Tenda Espirita Nossa Senhora da Conceição
Tenda Espirita Santa Barbara
Tenda Espirita São Pedro
Tenda Espirita Oxalá
Tenda Espirita São Jorge
Tenda Espirita São Jerônimo

E por essas Tendas, foram feitas mais de 10 mil outras, e como você pode perceber todas as 7 tem o nome espirita no meio porque seguiam a logística da mesa e incorporar sentado, assim como é nos centros espiritas. Outra curiosidade é que na tenda de Zélio não tem atabaque, porque eles falam que o ataque ajuda pessoa ter uma incorporação anímica, não concordo, mas de novo cada um com sua crença, afinal lá é assim e funciona do mesmo jeito, ajudam as pessoas do mesmo jeito.

Zélio passou a vida inteira sem receber R$1 (Um real) pelos atendimentos, foram 66 anos de Umbanda sem cobrar nada. As pessoas até tentavam dar algo em troca mas ele nunca aceitou.

Ele ficou a frente da tenda por 55 anos, após isso passou a Tenda para as filhas e ficou só na Cabana do Pai Antônio.
Funcionava da seguinte forma: Na casa de Zélio tinha a Tenda, e no bairro Boca do Mato, que fica no Distrito das Cachoeiras de Macacu, tinha a Cabana de Pai Antônio. Na Tenda eram giras normais e, na Cabana eram as giras de cura, onde tratavam as pessoas com problemas mentais.

Hoje a Tenda original já não existe mais, foi demolida, (tem uma problemática por trás, que ainda não consegui entender) e hoje a Cabana de Pai Antônio se tornou a Tenda Espirita Nossa Senhora da Piedade.

E para finalizar…

Zélio morreu em 3 de outubro de 1975 ,depois de ter trabalhado por 66 anos na Umbanda, sem falha, sem parar, sem desistir para depois voltar, foram 66 anos na risca, “diretão” ou seja um grande exemplo para a gente.

Ufa, acabamos por hoje, a história é longa, mas muito necessária para que todo UMBANDISTA saiba das suas raízes!

Leia e releia quantas vezes for necessário, afinal é a história de sua religião, e tem que estar na ponta da língua!

Um grande abraço, que Oxalá te abençoe, até a próxima. Axé!

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